Com 11 anos pude ver pela primeira vez o Filme Operação Dragão(Enter the Dragon), com Bruce Lee(Lee Jun Fan), aí me decidi...Vou ser como ele!
Já trabalhava, mas não tinha como pagar uma academia de Wu shu, foi aí que a Capoeira entrou em minha vida. Manifestação de liberdade dos cativos vindos de diversas regiões da África desde a porção oriental até a ocidental, desde Cabindas, povos de etmologia Bantu, Nagô, do Mali...Pessoas ora livres agora aprisionados, principalmente por yorubás que negociavam escravos seus principalmente com portugueses...vinham pessoas de crenças animistas e Malês(Muçulmanos)...e provavelmente a interação destas culturas, antes inimigas, mas agora em condições igualitárias(pelo menos na visão européia), começou a se desenvolver um certo tipo de arte de defesa, provavelmente com artes de defesa portuguesa, como o jogo do pau e da lança...N'Golo, Makulelê...E outras que se perderam nas brumas do tempo...O que se sabe é que a Capoeira atual, mesmo a Angola, não tem nada a ver com o que era praticado até déc. de 20 do Séc. Passado, entretanto o espírito de luta pela liberdade permaneceu inalterado...Liberdade...éra o que estava procurando...Não era Wushu, mas era arte marcial...era brasileira...era minha...Olhei para o lado e vi a mãe África me dando um presente, percebi que mãe África dá para seus filhos todo o seu cuidado e carinho...minha mãezinha tão querida me deu a capoeira Angola...Pratiquei por muitos anos seriamente, no mínimo 8 anos, e minha monografia de conclusão do curso de história foi sobre a Capoeira Angola...minha homenagem e agradecimento a cultura que me libertou pela primeira vez...
Com a Capoeira pude desafiar minha mãe pela primeira vez...ela sentiu o ódio saindo dos meus poros e agora com treinamento na arte da Capoeiragem...não teve coragem, parei de apanhar da mãe...Restavam meus primos e os guris que batiam em mim quando criança...sempre apanhava, principalmente para poder defender meu irmão...fui um por um, bati em todos, bati até nos guris da 8° série no Simões Lopes Neto, minha escola de primeiro grau, Bati no Glauco o Guri rico que praticava Karate Shotokan e levava nunvhaku para aula, bati nele e fiz ele me dar o nunchako dele com uma dedicatória:"Ao meu paizinho que me bateu como se eu fosse uma guriazinha"...Porém esta busca por vingança me deixava com uma baita senação de mal estar...ainda era escravo de um sentimento muito forte...a raiva...Meu principal motivador para sair da submisão agora agia como meu Senhor...Era considerado o melhor pelo meu mestre...
Eu me achava o máximo...até que um dia meu mestre me colocou no devido lugar...
Mas a raiva...não sabia o que fazer com tanta raiva...estava novamente escravizado...
Continua...
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